Eu Creio nos Homens
eu creio nos homens
quando conversam com nuvens
e se alimentam de frutos lúdicos
comem algodão-doce e se convertem em crianças
nas rodas-gigantes nos carrosséis
nas gangorras e escorregadeiras
quando descobrem outros reinos paisagens
e quando dançam e criam luas necessárias
quando abraçam os esplendores
e abrem janelas amarelas de venturas
eu creio nos homens
que conversam com os bichos e com o nada
e remendam suas almas com linhas e borboletas
trabalham o por vir como um pintor sua pintura
voam em balanços e alimentam seus filhos
dedilham o vento declinam estrelas
e namoram a metafísica
eu creio nos homens
que acreditam nos homens
acreditam nos milagres e nos peixes
tocam riachos com mãos e pés nus
fazem serenatas em noites imaculadas
e observam longos ocasos com olhos repletos de infinitos
eu creio nos homens
que escrevem cartas desesperadamente apaixonadas
plantam flores e cultivam amigos
caminham pelos campos de figos
com pés de primavera e ouvidos de flores
eu creio nos homens
quando desafiam as escuridões as incertezas
quando suas bocas insistem nos vocabulários
proibidos da concórdia e da beleza
e se comovem com a brancura das espumas flutuantes
eu creio nos homens
que acreditam na profunda ternura
dos cavalos-marinhos e das camélias
estudam ruínas e inventam desconhecidos azuis
que partem em navios solitários rumo a outros portos
despertam para Atenas e Éfeso e Roma
para as romãs róseas lacrimejadas pela melancólica chuva
eu creio eu creio eu creio
eu creio nos homens que laboram pelo
grande crepúsculo da vida!
About this poem
| Author | Narlan Matos |
|---|---|
| Language | Portuguese |
Publications
-
Canto aos Homens de Boa Vontade
2018
Penalux