é preciso esquecer de março
para que abril finalmente aconteça
deitar-se sob a sombra de Janeiro
para que o abismo de junho desapareça

de quem é esta face por detrás da hera?
ao longe o luar etéreo repousa leve e branco
sobre lírios de absinto e quimera

resta ainda a relva de setembro
       e azaleias da tarde
       e as latitudes do silêncio

não é a morte que eu busco, amiga
quando chegam tuas palavras na brisa
quando oferece-me o frescor de tua tez
e a Via-Láctea de repente renasce calma
nas rosas silvestres do prado
ou quando imensas abres as pétalas
do teu sorriso lindo e branco (um lírio?)
para a noite da minha existência

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